Acordei.
Céus, ainda estava no albergue. Naquele mundo onírico.
Pessoas roncando coisas em idiomas diferentes.
Restituído à sanidade, ao inconcebível presente, acometeram-me as preocupações pertinentes: tinha ainda de fazer a matrícula na universidade, além de achar um lugar mais permanente para morar – e para falar a verdade até tinha alguma vontade de ficar o semestre no albergue, esse lugar tão cheio de gente curiosa e de diversas procedências, desejo este impedido pelo limite de noites permitido e também pelas inaceitáveis condições de infra-estrutura para acomodar alguém por tanto tempo –, condições sem as quais minha estadia aqui na Europa seria não muito diferente da de um mendigo.
Levantei-me tarde, como de praxe – meu relógio biológico não tardou sequer um dia em adaptar-se de modo a permitir minha terrível moleza matinal –, saindo logo para a universidade sem querer perder mais tempo; metrô, etc. e tal e logo cheguei.
Já lá, que problemático! Informar-se com pessoas num idioma que se não conhece direito já é difícil; quando as pessoas ainda dão informações erradas, então... Tive que dar umas boas voltas no prédio onde era feita a matrícula até comprovar a incompatibilidade da informação passada, apenas para voltar, perguntar de novo e desta vez obter a resposta certa. Depois disso, sem demais delongas, apossei-me do material para inscrição... E vi ser necessário passar nos centros onde cursarei disciplinas, de modo a apanhar dados para o formulário.
Achei-os sem maiores problemas, podendo informar-me também que os referidos dados não poderiam ser de fato obtidos através deles mesmo, mas o engraçado ocorreu na volta da Facultád de Informática – um dos lugares mais distantes da universidade, praticamente isolado –, onde em uma caminhada tranquila simplesmente me perdi no meio de um bosque enorme.
Juro, não faço idéia de como me meti naquele lugar, que deve ter saído de um buraco dimensional ou algo da sorte! Um instante estava na civilização e, de repente, puft!, estava no campo. “Ah, após aquele morrinho devo poder ver os prédios da universidade” pensei, inocentemente. Mas quanto mais morros eu galgava, mais distante de tudo eu me parecia encontrar. Felizmente, entretanto, por um passe de mágica similar ao que me trouxera ali, encontrei o caminho para a universidade.
(Bom lugar para correr, por sinal, o bosque; não que eu me vá atrever a fazê-lo, claro. Não é sempre que se entra em um portal dimensional e se sai dele vivo, ileso...)
O fato é que após esse processo todo resolvi deixar a matrícula apenas para a semana próxima – tinha bastante tempo ainda para fazê-la, e minhas aulas na verdade também não haviam começado. Assim, enquanto percorria o percurso de volta segui colhendo diversas opções de moradia em quadros de aviso espalhados pela universidade (onde realmente havia muitos desses tais avisos)... Nenhum deles por menos que 270,00 Euros. Mais da metade de minha bolsa, todos, e assim soube que esta não seria o suficiente (ao menos não sem escrupuloso planejamento, como vim a descobrir mais tarde). Droga de Madri e seus imóveis hipervalorizados. Lembrei-me de Barão Geraldo, distrito onde se encontra a Unicamp – ô lugarezinhos caros de se morar...
Já no caminho de volta para o albergue, emergiu a crise.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário