Las porradas

Cheiro ruim.
Percebi ser o meu. Tinha acabado de acordar – para incredulidade geral, cedo: 9:00, mas apenas porque decidira que, mesmo tendo saído na noite passada, dormido muito tarde e estando cansado, eu iria aquele dia tomar aquele último café-da-manhã no albergue custasse o que fosse, e este ia até 9:30 –, e estava precisando de um banho.
Mas ainda não podia tomá-lo – porque, como exposto, estava à beira de perder o desjejum. Então fui à cozinha daquele jeito mesmo: fedorento, roupa amarrotada e sonolento – mas contente, contente com as amizades e as experiências.
E o dia prosseguiu bem, até certa altura; de posse de minhas malas, levei-as ao apartamento que havia achado. Lá as joguei em meu quarto e fiquei um pouco com Abel e Artie, meus companheiros de piso; conversamos um pouco sobre nós, trocamos algumas idéias, vimos um pouco de tv...
Então fui ao meu quarto, e depois averiguar as condições gerais da casa mais meticulosamente. Apenas para constatar coisas a princípio bizarras (ausência de chuveiros propriamente ditos; ausência de lixeiros; um estranho hábito de sempre deixar o microondas ligado e com a porta aberta, de maneira a só precisar fechá-la para poder usá-lo; etc.), e que em sua quantidade eram de deixar um pouco apreensivo.
Era tudo tão diferente. A esta altura eu já estava percebendo que as maiores diferenças entre as culturas não são visíveis a princípio – não, um olhar rápido e talvez sequer as haja –, mas existem sim, múltiplas, todas presentes nos detalhes.
Por essas e por outras, fui dormir cedo naquele dia.
Dormi 16 horas.

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