Eis que, após toda a confusão passada em São Paulo e um vôo direto com longas 10 horas de duração – com refeições até bem preparadas sim, senhor: lasanhas, canelones, sobremesas, chás, latinhas de refrigerante ou suco; o suficiente, enfim, para realmente satisfazer o cliente –, finalmente havia chegado em Madri. E aí não havia mais volta: enquanto no vôo eu estava em uma espécie de meio-termo, com funcionários espanhóis mas muitos passageiros também brasileiros, agora o idioma e ambiente predominante ao meu redor eram o espanhol.
Com pessoas falando espanhol, avisos em espanhol...
E eu sem saber bicas da língua.
Mas assim foi e, se eu não podia falar o tal idioma direito, certamente não era por falta de vontade; arrastei conversas com os funcionários, perguntando onde ficava tal ou qual coisa, como poderia fazer para achar minha bagagem (o aeroporto de Madri é enorme, e não apenas a bagagem não é uma das primeiras coisas a se recuperar como isso só acontece após a alfândega e uma passagem por um metrô dentro do próprio aeroporto [!]), e às vezes tentando mesmo falar inglês por incapacidade comunicativa – apenas para descobrir, céus, que o inglês dos espanhóis não é, via de regra, bom – quando existente.
Com alguma sofreguidão, entretanto, a primeira etapa foi concluída; e pude chegar ao saguão principal do aeroporto, onde não me poderiam deter mesmo que eu fosse um criminoso procurado, por já haver afinal passado pelo controle.
Agora era a hora de dar notícias minhas para a família, além de arranjar um mapa da cidade. O segundo objetivo foi até fácil – obtive-o em uma lojinha do aeroporto mesmo, como se era de esperar –, mas o segundo... Com alguns arranhões no idioma, descobri que cartões de telefone eram vendidos no correio e logo adquiri um, sofrendo para entender as instruções do funcionário que o vendeu.
Para começar, os telefones públicos espanhóis tem menu! Isso mesmo, nada de teclar de imediato; é possível escolher dentre várias opções antes, sendo que no maldito telefone é até possível enviar mensagens de celular ou e-mails (vai entender diabos como! Tecnologia é fogo!)... Enfim: arrisquei-me na opção “tarjeta de crédito”; pois ora, tarjeta significa “cartão”, e meu cartão telefônico tinha créditos de ligação. E assim passei uma hora tentando pôr os dados do cartão, apenas para me deparar com um tal pedido de “data de caducidad” e não saber o que fazer.
Até que percebi, bobo, que a tal “data de caducidad” deveria significar “prazo de validade”. E “tarjeta de crédito”, “cartão de crédito”...
Foi aí que lembrei das instruções do funcionário do correio, e vi que para ajudar ele havia até sublinhado números no cartão para mim. Assim, digitei em ordem os números que ele ressaltou, na opção de ligação normal.
E pude dar notícias a minha mãe.
(Não sem antes digitar 22 números – sim, 22! –, os quais de tanto repetir já memorizei.)
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Um comentário:
Muuito bem, Gaydré!
Finalmente alguém resolveu usar o grupo de emails da república! =)
Boa sorte por aí.. hehe
Abraço!
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