Mas, a despeito dos recentes progressos em termos de estabilidade no ambiente novo, o fato é que a necessidade de arranjar moradia ainda urgia. E, de posse de vários bilhetinhos com oportunidades de “habitación” coletados já da universidade, eu não mais tinha condições de protelar minha ação. Sim, era chegada a hora: teria de, em um telefone público, pedir toda uma série de informações sobre pisos e suas condições – isto, como já sabemos, sem quase falar espanhol.
Foi uma piada.
Mas com alguma sorte (como creio estar tendo esse início de semestre por aqui), consegui após a segunda ligação um apartamento que pareceu bem razoável. Não sem antes, claro, anotar literalmente o que os interlocutores do outro lado diziam, apenas para tentar decifrar depois. E também não sem antes desligar-lhes na cara, no que devo ter parecido extremamente rude, apenas por não saber exatamente como é que se finaliza em espanhol uma conversação ao telefone.
Feito isso, enfim, fui visitar o local. “Abrantes, 89, 1-C” era o que diziam as notas que eu tinha tomado durante a conversa no telefone. Mas, antes que fosse necessário que eu as precisasse entender, ao sair do metrô fui abordado por uma senhora – justamente a dona do piso, que havia ido até ali para me esperar (que gentileza!). Ela então me levou ao apartamento e me apresentou as acomodações, todas bastante boas – tudo muito acertado em seu lugar e tudo muito prático, qualidades necessárias a residências relativamente diminutas como aquela –, havendo um quarto exclusivo para mim – que eu não me importaria em dividir, é bem verdade, se com isso pudesse pagar menos.
Também com os outros dois inquilinos creio ter tido sorte... São ambos bem relaxados e gentis, têm praticamente a minha idade e parecem boas pessoas com quem se conviver. São universitários também e da área de artes visuais (nossa, simplesmente não me está ocorrendo o termo certo para isso agora), e por isso o apartamento é cheio de coisas relativamente cults e interessantes.
Dei sorte. Mas havia pago o albergue por aquele dia ainda, de modo que resolvi passar a noite nele – divertiria-me um pouco no computador, e dormiria cedo para descansar bastante.
Ingenuidade.
Porque ali chegando encontrei brasileiros e alemães.
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