Esses dias tenho tido algumas revelações acadêmicas curiosas – fatos que a princípio cri isolados, mas os quais posteriormente mostraram-se de fato uma verdadeira tendência. O que tenho percebido, basicamente, é o seguinte: a didática de estudo européia não envolve a leitura de livros!
Tudo começou com minhas aulas de Variáveis Complexas quando, por não achar o livro-texto na biblioteca, fui pedir ao professor informações sobre como encontrá-lo. Foi quando, para minha mais completa e estupefata surpresa, ouvi:
– No lo necesitas. Es mejor que estudies por las notas de clase.
Não necessito deles?! Quem em sã consciência dependeria apenas das anotações feitas em sala de aula, restringindo-se à didática de um professor que, sim, pode realmente ser bom, mas que certamente não dispõe de tempo ou magnitude suficiente para permitir abranger mais amplamente um tema?!
Isto, eu vim a descobrir, não era um fato isolado.
A ocasião seguinte ocorreu na disciplina Probabilidade e Estatística; fui atrás da professora para indagá-la sobre uma bibliografia mais adequada, devido a todas as que constarem na bibliografia estarem num nível absolutamente acima do da disciplina, exigindo pré-requisitos mais avançados. Minha resposta? É, realmente a bibliografia na ementa da disciplina não deveria ser levada mesmo em consideração, com efeito todos estavam num nível além do que se desejava criar ali, numa disciplina introdutória de probabilidade e para alunos não tão avançados na universidade; e disse não poder me indicar uma bibliografia apropriada – não conhecia tal –, recomendando que me baseasse... nas anotações em sala de aula!
Comentei isso em seguida com o aluno alemão que conheci nessas aulas de probabilidade, e ele assentiu: também era o mesmo na Alemanha: ele próprio (bolsista Erasmus, portanto certamente bom aluno e referência confiável) sempre se baseara nas anotações do professor, isto era o que estes lhe indicavam e ele realmente só havia precisado utilizar dois livros – em toda sua vida acadêmica.
Deus do céu!
Tem alguma coisa bizarra nisso tudo. Agora estou muito curioso quanto ao desempenho acadêmico do aluno europeu: quero ver sua bagagem teórica, o que emerge do conhecimento que lhe é passado através de unicamente uma fonte. A princípio não me parece possível que um desempenho fundamentado assim seja maior do que o obtido através de vários livros, estes ainda submetidos a avaliação crítica.
E o fato é que, até agora, as aulas não se mostraram ainda, ahm, como pôr?, um nível mais alto de exigência.
Esse é um assunto sobre o qual, definitivamente, ainda há bastante a se avaliar.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário